Proposta
O brilho suave do “purgatório” etéreo envolvia tudo em um clarão perolado, onde almas cintilantes, cada uma tingida de um matiz diferente, flutuavam como pequenas chamas dançando no ar. Alinhadas em filas ordenadas diante de um imponente portão forjado em ouro reluzente, elas aguardavam sua vez de atravessar o limiar. Ao lado, um balcão de recepção esculpido em mármore prateado abrigava um gato de pelagem branca impecável: usava óculos redondos de armação fina, um chapéu estilo cartola e um traje de recepcionista tão impecável quanto seu bigode pintado de branco. Uma alma cor verde-água deslizou, levitando, aproximando-se timidamente do balcão, mas logo se deparou com três almas alaranjadas que bloqueavam o caminho. À medida que as três se juntavam, seu resplendor unificava-se até formarem um saco amarelo que saltitava em direção ao gato. Pequenas gotas de água cintilavam e pingavam do tecido translúcido, como se aquele embrulho pulsasse de vida líquida. Chegando ao balcão...